http://www.youtube.com/watch?v=JY0lkmIWWsU
That's all.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Me recuso.
E hoje eu transformo, com dor no peito, meu amor em raiva, para depois se tornar indiferença.
Hoje eu decido que não quero mais você de jeito maneira. Não te quero nem quando eu estiver "te superado" completamente. Desconheço o futuro, mas sei que você não vai estar nele nem que você queira.
Percebi que devo tratar a situação como você me tratou quando me deixou na situação que eu me encontrei até há pouco.
Sua idade não condiz com suas atitudes, seu discurso não condiz com a sua vida, e seu amor não condiz com nada. O que me trouxe além de pessoas e momentos fantásticos? Só me deixou com um furo de 12 no peito e uma saudade que me segue como um véu de noiva. Quem me puxa é o véu. Aliás, quem me puxava era o véu. Agora eu quero o divórcio. Quero tirar essa roupa branca que eu uso e só deixa você mais bonito...Quero meu vestido confortável e meus pés na areia. Sozinha.
Te deixei conhecer meu forte e eu sinto que você só o usou para construir um plano de ataque...E eu fiquei como cidade destruída pós-guerra. Sei que muito provável eu sou apenas uma imagem na sua memória e o resto já está frio, desbotado, mas se um dia você ousar esperar de mim alguma coisa, não espere sutileza nem gentileza. Espere a mesma prepotência e dureza que você usou comigo ao dizer aquelas coisas todas tentando transformar em concreto e fato minhas lágrimas e o fim da nossa história.
A frase preferida daquela sua música era "efeito bumerangue pro seu mal agouro", não? Pois é. Lembre-se sempre dela. Quantas pessoas mais você vai magoar como amante? Quantas pessoas mais você vai deixar entrar na sua vida achando que vai ser diferente? Quantas pessoas mais você vai poder entender o real significado do seu apelido?
E hoje a coisa muda. Eu te concretizo e te torno um fato mal executado da minha vida. Mesmo sabendo que sim, eu passaria o resto da vida ao seu lado, se por ventura mudar de idéia...Saiba que eu me recuso. Por amor à mim, me recuso. Me recuso a voltar pra mínima memória que minhas lágrimas deixaram, pela cicatriz que o tiro de 12 me deixou. Me recuso a correr o risco de deixar acontecer de novo, porque não vale. Se o amor não valeu, o arrependimento vai valer menos ainda.
Deixo de lado meu véu. Sou mais feliz caminhando sozinha na beira do mar.
E não te quero na parede da minha memória...Te quero na minha caixa esquecida dentro do armário da memória. É lá que eu te quero e se você ousar sair, te tranco lá do mesmo jeito que você me trancou pra fora de tudo o que eu amava.
Obrigada por ser esse paradoxo, pois sem ele eu jamais perceberia que eu sou a única pessoa que pode fazer isso comigo. Não perceberia que a única pessoa que tem direito de ser paradoxal na história da MINHA vida, sou eu. Não perceberia apenas eu tenho o direito de me fazer chorar e correr atrás de alguma coisa que eu queira. E, o mais importante, não perceberia que a única pessoa que tem direito de ser orgulhosa sou eu. Por isso me recuso a te receber de qualquer maneira na minha vida de novo. Seja como conhecido, como amigo, como amante novamente...Me recuso.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
víbora
"até parece máscara, ópera, víbora
mas é só você que tem o dom de me enganar
me seduzir, me desdobrar, de me cuspir
só pra me obter
metade homem, metade omisso
uma parte morta, outra parte lixo
o teu cheiro, a tua trama, a tua transa
hoje eu não vou querer"
Acordei precisando vomitar. Precisando... e querendo. Foi a luz da janela meio aberta que me despertou. Foi um sonho que eu tive. Foi a noite de ontem e os seis meses que passamos juntos. Cambaleei até o banheiro num caminho sem fim, e por mais que eu desse passos largos, não alcançava o vaso sanitário.
Eu, um espetáculo teatral. Uma ópera triste, um texto dramático, uma obra expressionista. Ele me pôs num campo de concentração. Me transformei em uma coisa que eu nunca quis ser. Fiquei obsessiva, amarga, doente. Andava perdida em minha própria casa sem saber o que eu estava fazendo. Me esqueci que existiam outras milhões e milhões de pessoas no mundo. Eu só via ele, eu só queria ele.
Aos poucos eu percebi as minas no meu caminho. Algumas vezes eu só ouvia elas explodirem, não sabia que eu estava em pleno campo de batalha. "Deve ser ali do lado", eu pensava enquanto acreditava que aqueles rompantes iam passar. Precisei pisar na armadilha e me machucar para perceber que o problema estava ali, do meu lado do quintal.
Braços quebrados, joelhos esfolados, sexo apodrecido, olhos secos, coração despedaçado. Foi assim que eu me encontrei ao olhar através do espelho. Quem era aquela mulher? Eu envelheci? Eu fui atropelada? Eu ouvia pessoas me gritando lá fora, mas não conseguia assimilar nada.
Finalmente consegui chegar até o vaso sanitário. Me atirei no chão, abracei-o e da minha boca jorrou tudo o que estava sendo cultivado dentro de mim durante tantos meses. Eu não podia parar de vomitar. O gosto amargo. O veneno que percorria as minhas veias saindo do meu corpo. Caí sobre o vaso exausta.
Quando abri os olhos (pela primeira vez em meses), eu estava sozinha e livre. Ele havia me deixado.
Contrações
Alguns desabafos nos pipocam na mente como contrações de parto.
Vem aquela vontade de desembuchar tudo e ao mesmo tempo vem o apego à barriga.
Não pode.
Precisamos parir.
Parir tudo.
Dores, amores, alegrias, tristezas, pensamentos e todo o resto que nos faz ter essa sensação.
Ainda que o coração de uma mulher seja um oceano de segredos, ainda que nossa alma seja livre e única...Precisamos parir, porque é impossível carregar infinitas crias dentro de nós.
Precisamos parir para vê-las crescer e tomar o rumo que devem.
E é isso.
Vem aquela vontade de desembuchar tudo e ao mesmo tempo vem o apego à barriga.
Não pode.
Precisamos parir.
Parir tudo.
Dores, amores, alegrias, tristezas, pensamentos e todo o resto que nos faz ter essa sensação.
Ainda que o coração de uma mulher seja um oceano de segredos, ainda que nossa alma seja livre e única...Precisamos parir, porque é impossível carregar infinitas crias dentro de nós.
Precisamos parir para vê-las crescer e tomar o rumo que devem.
E é isso.
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